quinta-feira, 15 de novembro de 2018

CONHECENDO O LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO


Elaborado pelos acadêmicos do 8º Semestre de Farmácia: Alexandre Ferreira, Andressa Dias da Silva, Caroline Martins, Nicoly Cavalin Batista
Revisão professor: Tiago Bittencourt de Oliveira.



O que é lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória, causada por um desequilíbrio do sistema imunológico, o responsável por defender o organismo das agressões externas por vírus e bactérias, por exemplo. No lúpus, a defesa imunológica do organismo se vira contra os próprios tecidos como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro1,3.

O que significa o nome lúpus?
“Lúpus” significa lobo em latim. Diversas são as explicações para a origem do nome. Uma delas é a de que o nome deriva da Idade Média, assim chamada porque as lesões na face são parecidas com dentadas e arranhaduras feitas por lobos. Em 1895, um médico canadense caracterizou o envolvimento dos vários tecidos do corpo no quadro da doença e adicionou a palavra “sistêmico” ao nome1,4.

Há predisposição para apresentar lúpus?
O LES tem prevalência em pacientes do sexo feminino, tendo uma relação de 9 mulheres afetadas para cada 1 homem afetado. A prevalência de idade está entre os 15 e 45 anos. No Brasil, os casos entre brancos e negros é equivalente1,2.

Quais os sintomas?
O LES é uma doença crônica, e os períodos de atividade da doença são intercalados por períodos mais sintomáticos, e períodos em que o paciente apresenta pouco ou nenhum sintoma1.
Os sintomas dependem do órgão afetado e variam de doente para doente. Os sintomas podem ser ligeiros ou intensos, temporários ou permanentes. O LES afeta principalmente as articulações, a pele (figura 2), as células e os vasos sanguíneos, as membranas serosas do coração e pulmões, os rins e o sistema nervoso2.
Os sinais e sintomas do LES incluem: febre, manchas na pele, vermelhidão no nariz e nas maçãs do rosto, formando uma imagem semelhante às asas de uma borboleta (figura 1), fotossensibilidade, pequenas feridas na boca e no nariz (aftose), dor nas articulações, mal-estar, dificuldade em respirar, palpitações, tosse seca, cefaleias, convulsões, depressão, ansiedade, alterações nas células do sangue2.
          Figura 1. Eritema malar, semelhante a borboleta. Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2013.

As queixas podem surgir isoladamente ou em conjunto. As manifestações mais comuns são fadiga, febre, emagrecimento, perda de apetite, sensibilidade fácil da pele à exposição solar (fotossensibilidade), lesões na pele e articulações (dores/inchaço). A doença pode envolver outros órgãos como o rim, o coração ou o sistema nervoso central (cérebro). Estes sintomas podem ocorrer ao mesmo tempo ou de forma sequencial. Existem períodos em que o doente não apresenta qualquer sintoma ou queixa o que podem durar semanas, meses ou anos2.

                   Figura 2. Lesão eritematosa do lúpus. Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2013.

A pessoa com lúpus necessita de algum cuidado especial?

Sim. Os principais são: evitar exposição ao sol; evitar fumar, principalmente em uso do medicamento hidroxicloroquina, pois o fumo reduz sua ação; realizar exercícios; ter uma alimentação rica em cálcio para evitar osteoporose associada ao uso de corticóides1,5.

O lúpus tem cura?
Não. O lúpus exige tratamento cuidadoso, e as pessoas que realizam o tratamento adequadamente tem condições de levar uma vida normal. Pessoas que não realizam tratamento adequado acabam tendo sérias complicações, muitas vezes, incompatíveis com a vida. O LES não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna4.

Qual o tratamento medicamentoso?
O tratamento medicamentoso deve ser individualizado para cada paciente e depende dos órgãos ou dos sistemas acometidos e sua gravidade. Independentemente do órgão ou do sistema afetado, o uso contínuo de antimaláricos, preferencialmente do sulfato de hidroxicloroquina, é indicado com a finalidade de reduzir a atividade da doença e tentar poupar o uso de corticóides. Em alguns casos pode-se associar metotrexato5.
Na prática, em pacientes que evoluem com artrite crônica, em uma ou duas articulações, não-responsivos a tratamento medicamentoso antes proposto, é possível fazer infiltração intra-articular com glicocorticóides, que geralmente apresentam boa resposta5.
            Em casos de síndromes neuropsiquiátricas relacionadas ao lúpus, o tratamento deverá ser dirigido ao tipo de manifestação apresentada5.
Fonte: Hospital Geral de Goiânia, 2013.

REFERÊNCIAS

1. GALINDO, C.V.F.; VEIGA, R.K.A. Características clínicas e diagnósticas do lúpus eritematoso sistêmico: uma revisão. Revista Eletrônica de Farmácia. 2010; 7(4): 46-58.

2.BECK, S.T.; SILVA, J.C.N.; SCHIMIDT, S.; FLECK, J.; SANTOS, R.S.; Taxa de probabilidade como guia de interpretação do FAN-HEp-2 na pesquisa de autoanticorpos no lúpus eritematoso sistêmico. J Bras Patol Med Lab. v 45, n 4, p. 275-283, 2009.

3. CARNEIRO, A.C.A. Considerações sobre Lúpus Eritematoso Sistêmico. Universidade Estadual Paulista. Dissertação.  Araçatuba: 2013.

4. NARCISO, L. Manual informativo para o doente com Lúpus. Sociedade Portuguesa de Reumatologia: 2014. Disponível em: https://www.spreumatologia.pt/upload/_ManualLupus_SPR.pdf. Acesso em 21.09.2018.

5. BORBA, E.F.; BRENOL, J.C.T.; LATORRE, L.C, et al. Consenso de Lúpus Eritematoso Sistêmico. Rev Bras Reum. 2008; 48(4):196-207.
6. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Lúpus Eritematoso Sistêmico. 2015. Disponível em: https://www.bancodasaude.com/info-saude/lupus-eritematoso-sistemico/. Acesso em 03.10.2018.

7.  Hospital Geral de Goiânia. HGG realiza ação para orientação sobre Lúpus. 2013. Disponível em: http://www.idtech.org.br/principal.asp?edoc=conteudo&secaoid=168&subsecaoid=168&conteudoid=6705. Acesso em 03.10.2018.

Nenhum comentário:

Postar um comentário